Os desenhos generativos no SOLIDWORKS usam inteligência artificial para criar uma primeira versão do desenho técnico a partir de uma peça ou montagem 3D. O recurso Auto-Generate Drawing pode organizar folhas, selecionar vistas, propor dimensões e incluir elementos de detalhamento de acordo com as configurações escolhidas. O resultado acelera tarefas repetitivas, mas ainda precisa ser revisado por um profissional responsável pelo projeto, pela fabricação e pela inspeção.
Essa distinção é importante: a automação prepara o documento inicial. A definição da intenção de projeto, das tolerâncias e dos requisitos que tornam a peça fabricável continua sendo uma decisão de engenharia.
Esse controle preserva a rastreabilidade e evita transformar uma sugestão automática em requisito técnico ainda não aprovado.
O que são desenhos generativos no SOLIDWORKS?
“Desenhos generativos” é o termo usado pelo SOLIDWORKS para a criação assistida de desenhos 2D com base no modelo 3D. O sistema interpreta a geometria e as preferências informadas pelo usuário para estruturar o desenho, reduzir o trabalho manual de preparação e oferecer uma base editável.
Nesse contexto, o termo pode causar confusão com outros conceitos:
- Projeto generativo explora alternativas de geometria a partir de objetivos e restrições.
- Otimização de topologia redistribui material para atender critérios como rigidez, massa ou frequência.
- Model-Based Definition, ou MBD, concentra informações de fabricação no próprio modelo 3D.
- Auto-Generate Drawing cria e organiza a documentação 2D derivada de um modelo já existente.
Portanto, o recurso não redesenha a peça nem escolhe automaticamente a melhor geometria. Ele atua na geração do desenho técnico.
Como funciona o Auto-Generate Drawing?
O fluxo começa com uma peça ou montagem aberta no ambiente conectado à plataforma 3DEXPERIENCE. De forma resumida, o usuário:
- Inicia o comando Auto-Generate Drawing pelo menu File (Arquivo) ou pelo menu de contexto;
- Seleciona o documento ou os componentes que devem receber desenhos;
- Define o título, o local de salvamento e as configurações disponíveis;
- Escolhe padrões, modelos de folha e opções de dimensionamento compatíveis com o processo;
- Solicita a geração e acompanha o andamento no Painel de Tarefas;
- Abre o resultado para revisar vistas, cotas, tabelas, anotações e organização das folhas;
- Ajusta o desenho antes da aprovação e da liberação.
O processamento pode entrar em uma fila, principalmente quando há vários componentes. Isso permite continuar outras atividades enquanto o serviço prepara os desenhos.
A qualidade do ponto de partida depende da geometria, das propriedades do modelo, dos templates e das configurações disponíveis. Modelos bem estruturados e padrões de documentação consistentes tendem a produzir resultados mais aproveitáveis.
O que o recurso pode gerar automaticamente?
As capacidades variam conforme a versão, o tipo de modelo e as opções habilitadas. Entre os elementos documentados estão:
- Folhas de desenho e organização inicial do conteúdo;
- Vistas principais e projetadas;
- Vistas de seção quando necessárias;
- Tamanho de folha sugerido com base no padrão de desenho;
- Dimensões propostas;
- Chamadas de furos em geometrias reconhecidas;
- Detalhamento de peças e montagens;
- Tabelas, como lista de materiais e tabela de revisões, conforme as configurações e a versão;
- Suporte a modelos nativos e a determinadas geometrias importadas, inclusive arquivos step.
Esses elementos formam uma primeira versão editável. A expressão “dimensões propostas” merece atenção: o sistema pode identificar referências geometricamente válidas, mas não conhece por completo a função da peça, a sequência de usinagem, o método de medição ou o risco associado à falha.

O que continua sob responsabilidade da engenharia?
Um desenho técnico orienta fabricação, montagem, inspeção, manutenção e rastreabilidade. Por isso, a responsabilidade profissional não é transferida para o sistema que criou a primeira versão.
A revisão deve confirmar, no mínimo:
- Intenção funcional do projeto;
- Dimensões necessárias e ausência de redundâncias;
- Tolerâncias dimensionais e geométricas;
- Datums e referências de medição;
- Ajustes, folgas e interferências relevantes;
- Acabamento superficial e tratamentos;
- Símbolos de soldagem e instruções de montagem;
- Notas de fabricação e de inspeção;
- Materiais, propriedades e unidades;
- Coerência entre vistas, cortes, detalhes e tabelas;
- Conformidade com normas internas, contratuais e regulatórias;
- Legibilidade para quem vai fabricar e inspecionar.
Uma dimensão possível do ponto de vista geométrico pode ser inadequada do ponto de vista funcional, de fabricação ou de inspeção. Esse é um dos limites centrais da automação: a geometria informa o que existe, enquanto o engenheiro determina o que precisa ser controlado.
Quais limitações devem ser consideradas?
Entre os principais riscos estão a criação de vistas insuficientes ou desnecessárias, a escolha de referências de cota que não representam a função da peça, a omissão de requisitos de fabricação e a interpretação inadequada de modelos importados.
Também pode haver divergências entre a configuração gerada e o padrão interno da empresa. Se templates, propriedades e bibliotecas estiverem desatualizados, a automação tende a reproduzir essa inconsistência em escala.
Por isso, a adoção deve começar com casos controlados. A equipe pode comparar o tempo economizado, a quantidade de correções e os tipos de erro encontrados. Esses dados mostram se o recurso está pronto para um uso mais amplo e quais regras precisam ser refinadas.
Como avaliar um desenho gerado automaticamente?
Antes de liberar o documento, responda:
- Todas as características funcionais aparecem de forma clara?
- As vistas e os cortes são suficientes para evitar interpretações ambíguas?
- As dimensões representam a intenção de projeto?
- Há cotas ausentes, repetidas ou conflitantes?
- Tolerâncias, datums e acabamentos estão corretos?
- Materiais, unidades, escalas e revisões foram conferidos?
- Tabelas e chamadas correspondem ao modelo atual?
- O desenho pode ser fabricado e inspecionado com os recursos disponíveis?
- A aprovação segue o fluxo de qualidade da empresa?
Um checklist formal ajuda a transformar a geração automática em um processo auditável. Também cria dados para melhorar templates, orientações ao LEO e critérios de uso.
Take home
O Auto-Generate Drawing reduz o trabalho necessário para montar a primeira versão de um desenho técnico. Ele pode criar folhas, vistas, dimensões propostas, chamadas e tabelas a partir de peças e montagens, com apoio do LEO em configurações por linguagem natural.
O valor aparece quando a automação é incorporada a um processo de engenharia bem definido. Modelos organizados, templates confiáveis, requisitos claros e revisão humana transformam velocidade em produtividade. Sem esses controles, o ganho de tempo na geração pode reaparecer como retrabalho na fabricação ou na inspeção.
FAQ - Perguntas frequentes
Não necessariamente. O resultado funciona como uma primeira versão editável e deve passar por revisão de dimensões, tolerâncias, notas, normas, fabricação e inspeção antes da liberação.
Não. A documentação oficial informa acesso para usuários da 3DEXPERIENCE. A disponibilidade efetiva depende da versão, da oferta contratada, das funções e das permissões do ambiente.
Ele pode propor elementos de dimensionamento, mas a definição de GD&T, tolerâncias e referências funcionais depende da intenção de projeto e continua sob responsabilidade da engenharia.
A documentação registra suporte a determinadas geometrias importadas, inclusive STEP. A qualidade do resultado depende das características reconhecidas e deve ser avaliada em cada caso.
O desenho generativo organiza a documentação 2D de um modelo existente. O projeto generativo explora alternativas de geometria com base em objetivos e restrições.
Sim. Na documentação oficial consultada em 3 de setembro de 2026, o recurso permanece identificado como beta. Empresas devem verificar as condições e limitações aplicáveis antes do uso em produção.
Próximo passo
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